O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi autuado apenas por crimes relacionados a armas de fogo e fraude processual após a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos. Ela foi encontrada morta nesta segunda-feira (18) em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
A informação foi confirmada ao Campo Grande News pelo advogado José Belga Trad, responsável pela defesa do médico, no fim da noite de hoje. Segundo ele, a Polícia Civil descartou a investigação por feminicídio.
“Ele foi autuado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso restrito e permitido e fraude processual. Aguarda audiência de custódia, marcada para a manhã de quarta (20)”, afirmou o advogado.
Mais cedo, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) havia informado que ainda apurava as circunstâncias da morte e não descartava investigar o caso como feminicídio. No decorrer da noite, porém, a linha de investigação foi deixada de lado.
O boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar classificou o caso como suicídio. Conforme o documento, João contou aos policiais que a esposa realizou normalmente a rotina da manhã antes de subir ao quarto do casal, no andar superior da residência.
Segundo o relato do médico, ele estranhou a demora da mulher no cômodo, bateu na porta e não recebeu resposta. Em seguida, voltou para a cozinha e tentou ligar para o celular da esposa. Pouco tempo depois, encontrou a esposa caída no chão.
Ao retornar ao quarto, encontrou Fabiola caída no chão. O cardiologista acionou o ex-caseiro da propriedade, identificado como Elodir Hofmann, que chamou a Polícia Militar pelo telefone 190.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e perícia estiveram no imóvel rural durante a tarde. O corpo da fisioterapeuta foi retirado do local após os trabalhos periciais.
Durante a vistoria na chácara, policiais apreenderam armas longas e munições. Conforme a defesa, Jazbik Neto possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).
Belga Trad afirmou que o cliente nega ter atirado contra a esposa. “O que eu peço para todos é que a gente dê o benefício da dúvida, que deve ser garantido a toda pessoa investigada ou acusada”, declarou.
O boletim da PM informa ainda que o médico e testemunhas foram encaminhados para prestar esclarecimentos na delegacia, sem necessidade do uso de algemas.
