Uma das três páginas desaparecidas do palimpsesto de Arquimedes, um manuscrito do século 10 com cópias dos tratados do cientista grego, foi descoberta em um museu da França.
Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, foi o responsável por encontrar a página no Museu de Belas Artes de Blois, no centro do país. A descoberta aconteceu de forma inesperada.
Um palimpsesto é um pergaminho cujo texto original foi apagado para ser reutilizado. Os tratados de Arquimedes foram copiados no século 10. Por volta dos séculos 12 e 13, foram apagados e reciclados para virar um livro de orações.
A história deste palimpsesto, único no mundo, é incomum. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg o encontrou no final do século 19. Em 1906, ele foi fotografado página por página. O documento sumiu durante a Primeira Guerra Mundial e reapareceu em 1996 em uma coleção privada na França. Nesse meio-tempo, três das 177 páginas desapareceram.
Gysembergh explicou que os palimpsestos o interessam como forma de redescobrir textos perdidos da Antiguidade. Ele mencionou para colegas que parte da biblioteca dos reis da França estava em Blois e decidiu buscar por um palimpsesto lá.
A busca foi feita pelo Arca, um catálogo online de manuscritos digitalizados. O pesquisador ficou surpreso ao encontrar um manuscrito grego e, mais ainda, um tratado científico do século 10. Ele comparou a página com as fotos tiradas em 1906, disponíveis online pela Biblioteca Real da Dinamarca.
“O estilo da escrita é exatamente o mesmo, cada letra é exatamente a mesma. A figura geométrica é exatamente a mesma, exatamente no mesmo lugar”, contou Gysembergh. A página contém o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.
De um lado da página está o texto da cópia, muito visível. Do outro, há um desenho mais recente, provavelmente feito no século 20 por um proprietário para tentar aumentar o valor do documento.
Os trabalhos de Gysembergh foram publicados no dia 6 de março de 2026 na revista alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik. O pesquisador espera realizar uma análise mais detalhada no próximo ano para decifrar melhor o texto.
Arquimedes viveu entre 287 e 212 a.C. em Siracusa. Físico, astrônomo, matemático e engenheiro, sua obra chegou até os dias de hoje, incluindo o famoso princípio que leva seu nome.
A descoberta reaviva a esperança de encontrar um dia as outras duas páginas que ainda faltam. Gysembergh afirmou que, antes deste achado, não havia motivo para esperar que as outras fossem encontradas. Agora, ele acredita que instituições ou colecionadores privados que possuem manuscritos similares devem considerar que poderiam ser os outros perdidos.
