O advogado popular e doutorando em Geografia pela UFMS, Lucas Bocato, escreveu um artigo sobre a votação do Plano Diretor de Três Lagoas (MS). O texto relata a disputa em torno do projeto e critica a postura da Prefeitura e de parte da Câmara Municipal.
Bocato afirma que a participação da população foi uma lição de cidadania. Ele agradece a presença de cidadãos, líderes comunitários e estudantes que lotaram a Câmara para reivindicar a rejeição do projeto. Para ele, o povo deu uma aula de democracia real.
O artigo faz um reconhecimento público aos vereadores que votaram contra o projeto: Maria Diogo, Marco Silva, Davis Martinelli e Pedrinho Jr. Bocato destaca a coragem deles em construir debates e pareceres contrários, mesmo com divergências ideológicas em outros temas.
O autor também elogia o papel da academia. Professores e pesquisadores de universidades públicas e institutos de pesquisa contribuíram tecnicamente para o debate. No entanto, ele acusa a Prefeitura e seus aliados de ignorarem notas técnicas e pareceres acadêmicos, dando ouvidos apenas aos interesses do mercado imobiliário.
Bocato descreve o plenário como um retrato da desigualdade. Segundo ele, a maioria das pessoas presentes era de baixa renda, enquanto alguns poucos latifundiários e especuladores concentravam mais riqueza e terras. Para o autor, o voto da maioria dos vereadores foi um ato de submissão a esses grupos.
O texto critica a postura de parte do parlamento, classificando-a como “democracia de conveniência”. Bocato afirma que esses vereadores aprovaram um texto com ilegalidades e agiram como “garotos mimados”, incapazes de aceitar críticas. Ele defende que a vaia do público é uma ferramenta legítima de manifestação contra o arbítrio.
Por fim, Bocato conclui que o placar de 11 a 4 reflete uma força momentânea, mas a ocupação da Câmara pela população representa uma força permanente. Ele afirma que a aprovação do projeto não encerra a luta pela gestão democrática da cidade.
