Com a prisão de Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, na Bolívia, todos os herdeiros do clã Razuk estão agora detidos. A captura ocorreu ontem (2), quando ele foi detido pela polícia boliviana por entrada e permanência irregular no país e entregue às autoridades brasileiras na fronteira. Levado para a Polícia Federal em Corumbá, o ex-deputado tinha um mandado de prisão preventiva em aberto desde 8 de julho.
Neno Razuk já foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, em um processo decorrente da Operação Successione. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, depois que Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio e deixou de ter foro privilegiado. Na decisão, o magistrado citou risco à ordem pública e a necessidade de interromper a suposta continuidade das práticas criminosas. A defesa do ex-parlamentar nega o envolvimento dele com os crimes.
Os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk estão presos desde 25 de novembro de 2025, quando foram detidos na 4ª fase da Operação Successione. Na mesma ação, o pai deles, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, também foi preso em casa, em Dourados, mas recebeu prisão domiciliar por motivos de saúde. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, pai e filhos formariam o núcleo duro de uma organização criminosa ligada à exploração de jogos de azar. A operação apurou suspeitas de roubo, corrupção, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. As defesas negam a existência da organização.
As investigações do Gaeco indicam que o grupo planejava expandir os negócios. Conversas analisadas mostrariam interesse em testar um sistema híbrido de apostas, chamado “jogo do bichinho”, que funcionaria presencialmente e pela internet, com sorteios a cada cinco minutos. Os diálogos também apontariam planos de expansão para o Paraguai, com a possível compra de uma empresa licenciada para explorar modalidade semelhante ao jogo do bicho naquele país.
A 4ª fase da operação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Foram apreendidos documentos, celulares, armas, munições, máquinas de apostas, cheques, moedas estrangeiras e R$ 274,9 mil em dinheiro. O material apreendido indicaria uma estrutura com divisão de funções e controle financeiro. Mais de 700 máquinas de apostas também foram recolhidas.
Roberto Razuk é o único dos quatro integrantes da família que não está em uma unidade prisional. Após ser preso em novembro, ele passou a cumprir prisão domiciliar por causa da idade e do estado de saúde. No dia 5 de julho, foi internado na UTI do Hospital Unimed de Dourados. Segundo o advogado Ricardo Pereira, que representa a família, o patriarca já recebeu alta e se recupera em casa, ainda beneficiado com a prisão domiciliar.
