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Corpos na nuvem: a exploração por trás da cultura digital

Corpos na nuvem: a exploração por trás da cultura digital

Em artigo publicado no Campo Grande News, o professor Norlan Souza da Silva, da Universidade de Brasília, analisa a cultura digital sob a ótica do materialismo cultural do teórico Terry Eagleton. Para o autor, a chamada “nuvem” digital não é uma entidade etérea, mas sim um conjunto massivo de corpos que sofrem e trabalham para que a experiência online aconteça.

O texto argumenta que a realidade material da cultura digital é uma cadeia global de exploração. Crianças e adolescentes que passam horas curvados sobre smartphones, moderadores de conteúdo no Sul Global expostos a imagens traumáticas e trabalhadores que extraem minérios em condições desumanas são apontados como a base física desse sistema. O discurso do “virtual”, segundo o autor, oculta essas condições de sofrimento.

A análise prossegue com a crítica à “cultura do like”. O artigo defende que cada postagem, vídeo ou meme compartilhado não é apenas lazer, mas um ato produtivo que gera dados para as grandes empresas de tecnologia. Nessa visão, a atenção e o tempo de tela dos usuários seriam uma forma de mais-valia extraída sem remuneração. As plataformas como Instagram, TikTok e Fortnite são comparadas a propriedades privadas, onde as empresas definem as regras e controlam os usuários.

O autor também relaciona a cultura digital a danos à saúde. A rolagem infinita e as notificações constantes seriam uma agressão ao sono e à concentração. A exposição a padrões de corpo perfeito, mediados por filtros e edição, negaria a vulnerabilidade humana. Como resultado, o artigo cita uma epidemia de sofrimento psíquico entre jovens, incluindo ansiedade, depressão e transtornos alimentares. Para o professor, esse sofrimento não é uma fraqueza geracional, mas a resposta do corpo a um regime que o explora e o adoece.

Por fim, o texto convida a uma mudança de pergunta diante da cultura digital. Em vez de focar apenas no que os jovens consomem, seria necessário questionar quais corpos estão sendo violados e quais necessidades estão sendo negadas para a geração de valor das plataformas. A saída, segundo o autor, estaria no retorno ao corpo partilhado e na construção de uma cultura que acolha as necessidades materiais, em vez de negá-las.

Sobre o autor: Redacao Integrada

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