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Crianças transformam folhas em poesia na casa de Manoel de Barros

Crianças transformam folhas em poesia na casa de Manoel de Barros

Folhas recolhidas do quintal onde viveu o poeta Manoel de Barros ganharam novos significados nas mãos de crianças durante uma oficina realizada neste sábado (1º), na Casa Quintal Manoel de Barros, em Campo Grande. Cerca de 12 crianças e suas famílias participaram de desenhos, contação de histórias e brincadeiras, em uma atividade que antecipou parte da programação da feira Materne.

O encontro foi conduzido pela historiadora, poeta e escritora Raquel Anderson e por Raylla Nascimento, gestora do Museu Casa Quintal Manoel de Barros. A proposta foi apresentar a trajetória e o universo poético do escritor por meio de uma linguagem lúdica, mostrando que a poesia pode nascer das pequenas coisas do cotidiano.

Antes da oficina, o grupo percorreu os espaços onde Manoel de Barros viveu, conhecendo objetos, móveis e referências ligadas ao dia a dia do escritor. A visita mostrou que a poesia também pode surgir das memórias, da natureza e da forma como cada pessoa observa o mundo.

Em seguida, as crianças saíram para o quintal, recolheram folhas e pequenos elementos da natureza e transformaram tudo em desenhos e novas histórias, inspiradas na obra do poeta. “Queremos que elas conheçam quem foi Manoel de Barros, entendam o que é a poesia e percebam como ela pode ser inspiradora. Elas visitam a casa com esse olhar poético e depois criam a partir das folhas do quintal, dos desenhos e das próprias experiências”, explicou Raquel.

Durante a atividade, as crianças também conheceram trechos de Exercícios de Ser Criança, obra em que Manoel de Barros transforma imaginação, brincadeira e “despropósitos” em poesia. Ilustrado com bordados, o livro apresenta imagens como carregar água na peneira, criar peixes no bolso e construir os alicerces de uma casa sobre o orvalho.

Criado no Pantanal da Nhecolândia, Manoel de Barros desenvolveu desde a infância uma relação próxima com a natureza. Formigas, caracóis, pássaros, árvores e outras miudezas, que muitas vezes passam despercebidas, tornaram-se protagonistas de seus poemas. Para Raquel, esse olhar ajuda a aproximar a obra do escritor do universo infantil. “Manoel de Barros encontrou um jeito diferente de falar e de enxergar as coisas, com sensibilidade, emoção e encantamento. É justamente esse olhar que aproxima a poesia dele das crianças.”

Segundo a escritora, o poeta também mostra que a criação pode nascer daquilo que parece simples. “Manoel inventava palavras, brincava com os sentidos e olhava para as formigas, os caracóis, os peixes e até para o vazio como matéria de poesia. Isso mostra à criança que ela também pode criar a partir do que vê, sente e imagina”, destacou. Ela acrescentou que atividades como essa ajudam as crianças a construir memórias afetivas por meio da arte. “A criança olha para a vida a partir da experiência e daquilo que sente. Quando entra no quintal, recolhe uma folha e depois transforma aquilo em desenho, ela se expressa pela arte. Isso cria uma memória afetiva que pode carregar para sempre.”

A escolha da Casa Quintal Manoel de Barros como cenário foi pensada para aproximar as crianças da literatura e da cultura regional. Segundo a curadora da Materne, a médica ginecologista e obstetra Dra. Maria Auxiliadora Budib, a proposta vai além da leitura. “Queremos que elas conheçam nossos escritores, nossos poetas e a cultura do Pantanal. A proposta é criar esse vínculo desde a infância e mostrar que essa literatura também faz parte da história e da identidade delas”, afirmou.

Leitura começa em casa

A assessora pessoal Marcela Karolina Trindade de Lemos participou da atividade com a filha, Zoe de Lemos Pereira, de 1 ano e 11 meses. Em casa, o contato com os livros começou ainda nos primeiros meses de vida. “Desde pequena, compramos livros com imagens e histórias bíblicas. Sempre lemos uma história para ela pela manhã ou à noite. Isso já faz parte da nossa rotina”, contou. Segundo Marcela, o hábito já aparece espontaneamente no dia a dia da filha. “Muitas vezes, ela mesma pega o livro, observa as figuras, reconhece algumas coisas e começa a criar histórias na cabeça. A criatividade e a imaginação começam ali. É algo que ajuda desde muito cedo”, relatou.

Experiência também estará na Materne

A oficina deste sábado funcionou como um aquecimento para a Materne, maior feira gratuita de Mato Grosso do Sul voltada a tentantes, gestantes, mães, crianças, famílias e redes de apoio. Nos dias 15 e 16 de agosto, no Ondara Buffet, a feira levará a experiência da contação de histórias para um público maior, promovendo momentos de imaginação, escuta e aproximação com a literatura. A programação também contará com palestras, rodas de conversa, cursos, oficinas e atividades voltadas às diferentes fases da maternidade e do desenvolvimento infantil. A participação é gratuita, mas é necessário fazer inscrição na feira e, separadamente, nas oficinas e cursos escolhidos pelo site da Materne.

Sobre o autor: Redacao Integrada

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