Bryan Seiti Inoue, de 34 anos, largou a CLT para se dedicar ao negócio da família: a venda de pastéis em feiras de Campo Grande. O que antes era motivo de bullying e vergonha na escola, hoje é motivo de orgulho e sucesso financeiro. “Vai fritar pastel, japonês”. “Pastel de flango”. “Suco de lalanja”. Essas frases marcaram a infância de Bryan, que tentou fugir do legado dos pais. Ele se formou em administração de empresas e fez pós-graduação, mas a realidade do mercado de trabalho não foi como esperava.
Depois de anos trabalhando como contratado, com carga horária de 12 horas, Bryan decidiu voltar para a feira. Em 2017, ele assumiu o comando do negócio. A barraca que vendia 50 kg de massa por semana se transformou em uma fábrica que produz mais de 1 tonelada por mês. Com maquinário moderno, a produção cresceu. “A gente era pobre, isso foi a melhor coisa que eu fiz na vida financeiramente. Já consegui até viagem para a Europa fritando pastel. Sou pós-graduado e vendo pastel”, afirma.
A história da barraca começou em 1988, quando o pai de Bryan, Leizo Inoue, conhecido como Paulo, e sua mãe, Sumie, largaram a vida em São Paulo para serem feirantes em Campo Grande. A família trabalhou na lavoura em outras cidades antes de se dedicar ao pastel. “Meus pais colhiam laranja em Lins e algodão e café em Assaí, no Paraná. Meu tio veio arriscar a vida aqui em Campo Grande vendendo verduras”, conta Bryan.
O tio, Massaru Ito, que perdeu a esposa em 2025, voltou a trabalhar na barraca. A família acolheu ele de volta. “Ele vendia verduras na época, depois viu que fritar pastel dava mais dinheiro e nunca parou”, lembra Bryan. Antigamente, a produção era de 50 kg por semana. Hoje, passa de 1 tonelada por mês. Em época de festa junina, a fábrica fornece pastéis para muitas festas, padarias e lanchonetes.
Bryan conta que, só no domingo, na feira do Guanandi, venderam quase 1.300 pastéis, além de coxinhas e quibes. Na semana, o número sobe para quase 4 mil unidades. Os sabores são os tradicionais: carne, queijo, frango com catupiry, bauru e pizza. A barraca percorre feiras de Campo Grande de terça a domingo. Na terça, está no bairro Coophavila II; na quarta, na Orla Morena; na quinta, no Rita Vieira; na sexta, no Nova Bahia. Aos sábados, atende de manhã no Coophasul e à noite no Jacy. No domingo, a barraca está no Guanandi, com a presença do pai, Leizo, de 81 anos.
Bryan faz questão de ser um patrão próximo. Ele gosta de falar com os funcionários e ouvir os problemas. “O que ninguém vê na vida do empreendedor é isso. Eles têm uns problemas que acabam vindo para a fábrica, a gente dá conselho. Empreender não é fácil, mas é muito gratificante”, diz. Apesar de estar à frente do negócio, ele não larga o batente. “Eu trabalho junto. Meu pai diz que a gente tem que estar no lugar de trabalho: ‘o olho do dono que engorda o gado’. A gente tem que liderar, não mandar”, conclui.
