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El Niño e frentes frias: MS pode ter recorde de calor em 2023

Mato Grosso do Sul tem duas frentes frias à vista que podem voltar a derrubar as temperaturas a partir deste final de semana e na primeira semana de junho, segundo informou nesta quarta-feira (15) o meteorologista Natálio Abraão. A mais próxima não deve trazer temperaturas mínimas comparáveis às registradas na última semana, mas a do início do mês que vem, sim. “Vai ser gelado”, ele prevê.

O meteorologista afirma que o inverno deste ano pode ter frentes frias com intervalos mais curtos em comparação a anos anteriores. Como efeito do El Niño, julho pode ser um pouco mais chuvoso que o normal. “É um mês que historicamente quase não chove, mas este ano poderá ser diferente, já como consequência desse fenômeno”, disse.

Natálio ressalta que o El Niño está saindo do modo neutro, conforme apontam modelos do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo). Nesta semana, um relatório do NOAA (Administração Nacional para os Oceanos e para a Atmosfera), dos Estados Unidos, reforçou o “alerta de El Niño”.

Abraão sustenta que isso aumenta as chances de municípios de Mato Grosso do Sul atingirem recordes de temperatura. Ele cita Água Clara, Aquidauana e Porto Murtinho, que já registraram algumas das maiores temperaturas do Estado. A mais alta foi medida em Água Clara, que enfrentou 44,6°C em 5 de abril de 2020.

“As águas do Pacífico começaram a aquecer e vão continuar aquecendo. Até novembro e dezembro, elas podem ficar até 1°C mais quentes”, diz o meteorologista se referindo ao El Niño. Esta primavera poderá ser quente, com chuvas acima da média, concentradas em poucas horas ou dias e com distribuição irregular.

“O que evapora ali no Oceano é trazido pelos ventos para a região da Amazônia, passando pelo Sudeste e por Mato Grosso do Sul. Se isso se concretizar, teremos chuvas numa quantidade que o agricultor adora. Mesmo assim, podem ocorrer alguns períodos de estiagem na primavera. A preocupação com relação às chuvas são enchentes, inundações que alguns municípios não estão preparados para lidar”, detalhou.

A tendência de temperaturas mais elevadas segue em novembro e dezembro. “É algo que nós já vimos em anos anteriores e pode se intensificar por conta do El Niño e das mudanças climáticas”.

A análise climática do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) para os meses de junho a agosto no Estado reforça o cenário de atenção, mas devido à distribuição irregular das chuvas e das temperaturas ligeiramente mais altas do que o normal no inverno. “Esse cenário pode impactar diretamente os setores agropecuário, recursos hídricos, energético e de saúde pública, além de aumentar a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas”, descreve o centro em um documento.

O Cemtec aponta que há 92% de probabilidade de o El Niño se desenvolver no trimestre e atingir nível moderado a forte entre a primavera e o início do verão, o que poderá favorecer ondas de calor mais frequentes e intensas. Como o estado está numa zona de transição climática, que gera mais variabilidade nas condições climáticas, é preciso acompanhar o cenário continuamente, finaliza o centro.

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