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Pacote antiambiental ameaça áreas protegidas de MS

Pacote antiambiental ameaça áreas protegidas de MS

Mato Grosso do Sul possui 131 unidades de conservação que protegem cerca de 5,58 milhões de hectares, o equivalente a aproximadamente 15% do território estadual. Distribuídas entre Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, essas áreas preservam parte do patrimônio natural do Estado e podem sentir os reflexos de um conjunto de projetos de lei aprovados pela Câmara dos Deputados. As propostas, que tramitam no Senado, não alteram diretamente a criação dessas unidades, mas especialistas avaliam que podem enfraquecer instrumentos de proteção ambiental e produzir reflexos sobre a conservação dos biomas.

Conhecido por ambientalistas como “pacote antiambiental”, o conjunto reúne ao menos quatro projetos de lei. Um deles é o PL 364/2019, que altera o Código Florestal para permitir, em determinadas condições, a supressão de vegetação nativa não florestal para atividades agropecuárias. O PL 2564/2025 restringe o uso do embargo remoto pelo Ibama. Já o PL 5900/2025 amplia a participação do Ministério da Agricultura nas decisões sobre a classificação de espécies utilizadas em atividades produtivas como invasoras ou ameaçadas. Por fim, o PL 2898/2025 prevê tratamento diferenciado para pequenos produtores rurais em situações relacionadas à aplicação de sanções e embargos ambientais.

Segundo o Cadastro Estadual de Unidades de Conservação, atualizado pelo Imasul em novembro de 2025, o Estado possui 131 unidades de conservação, sendo 62 municipais, 47 estaduais e 22 federais. Ao todo, são 23 parques, além de APAs, Monumentos Naturais, Estação Ecológica, Reserva Biológica, Refúgios de Vida Silvestre e Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Entre os destaques estão o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, com 76.851,8 hectares, e o Parque Nacional da Serra da Bodoquena.

A professora Natália Pompeu, doutora em Ciências Ambientais e professora de Direito Agrário da UFMS, ressalta que os projetos possuem alcances diferentes e precisam ser analisados individualmente. Segundo ela, do ponto de vista jurídico, não é possível afirmar que as propostas afetarão diretamente as unidades de conservação de Mato Grosso do Sul. Na avaliação da pesquisadora, o PL 364/2019 não apresenta impactos diretos evidentes sobre as unidades de conservação do Estado.

Já o PL 2564/2025 merece atenção especial porque trata da fiscalização ambiental. A proposta cria novas etapas antes da adoção de determinadas medidas baseadas em imagens de satélite. Para ela, é necessário avaliar se essas mudanças podem reduzir a rapidez da atuação dos órgãos ambientais, especialmente em um estado de grandes dimensões territoriais como Mato Grosso do Sul, onde o monitoramento remoto é uma ferramenta importante para identificar alterações na vegetação em áreas de difícil acesso.

O advogado ambiental Ivens Drumond avalia que, embora os projetos não alterem os decretos ou leis que criaram as unidades de conservação, eles podem enfraquecer a proteção dessas áreas de forma indireta. Para Drumond, parques e reservas dependem da preservação do entorno, conhecido como zona de amortecimento, e da conexão entre diferentes áreas naturais. Ele considera o PL 364/2019 o mais preocupante para Mato Grosso do Sul porque pode facilitar a supressão de vegetação nativa em áreas vizinhas às unidades de conservação, isolando os parques.

O ICMBio afirmou que todas as unidades de conservação do Estado são estratégicas, incluindo as RPPNs. O instituto considera que o Pantanal ainda necessita da criação de novas unidades de conservação nas esferas federal, estadual e municipal. Para a SOS Pantanal, algumas das propostas não atingem diretamente o Pantanal por causa da legislação estadual, mas podem aumentar a pressão sobre outros biomas, especialmente o Cerrado, onde nascem muitos dos rios que abastecem a planície pantaneira.

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