O autor Juarez Alvarenga reflete sobre o que chama de “armadilha da racionalidade”, um estágio que muitos atingem na maturidade. Segundo ele, com o avanço da vida, as pessoas passam por diversas experiências e conseguem evitar muitos problemas, mas acabam caindo em uma armadilha inevitável: a da racionalidade.
Para ilustrar esse ponto, Alvarenga conta que foi à festa de vinte anos de formatura da faculdade. Lá, encontrou colegas mais articulados e racionais do que eram na época em que se formaram. Ele observa que alguns foram mais castigados pela vida, outros foram mais premiados, mas todos estavam sem agonia e, talvez, sem os sonhos de adolescentes. O autor afirma que 95% dos presentes tinham a aparência de que a vida é um fato consumado, independentemente do estágio que alcançaram.
Para Alvarenga, essa sensação de que a vida é um fato consumado, combinada com a mediocridade cotidiana, é um foco de distúrbios psicológicos. Os outros 5%, incluindo o próprio autor, acreditam que ciclos acabam, mas a vida nunca se fecha. Ele se define como alguém que crê no ineditismo do nascer do sol, onde muitas histórias épicas ainda podem ser construídas.
O texto sugere que, mesmo caindo na armadilha da racionalidade, é possível seguir objetivos em estradas certeiras, com sinalização e respeitando o tempo dos acontecimentos. Para ele, a velocidade é da racionalidade e as metas serão atingidas, pois todos os horizontes são mensuráveis pela astúcia. A armadilha da racionalidade é descrita como o habitat natural para perseguir os sonhos, assim como os astrônomos perseguem as estrelas. Ser racional, conclui, não significa abandonar os sonhos de adolescente, mas sim persegui-los com a lucidez dos intelectuais e a paciência dos monges.
Juarez Alvarenga é advogado e escritor. Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal.
