No Mato Grosso do Sul dos primeiros tempos, a chegada de uma criança ao mundo era anunciada com tiros. O costume era praticado por todos, pobres e ricos. O pai do recém-nascido promovia um tiroteio na porta de casa para celebrar o evento e comunicar a vizinhança sobre o nascimento.
Naquela época, não havia médicos nem enfermeiros na região. Os partos eram conduzidos por uma “comadre” da família, que atuava como parteira. Com pouco conhecimento técnico, essas mulheres ajudavam a mãe a aliviar as dores do parto. O resto ficava por conta da natureza, sem cuidados rigorosos com a higiene.
A intensidade do tiroteio variava conforme o sexo da criança. Como foguetes eram artigos raros no comércio local, a população usava espingardas cartucheiras ou armas de carregar pela boca. Se o bebê fosse menino, a quantidade de disparos era bem maior. Os partos costumavam acontecer de madrugada, e o barulho dos tiros acordava os moradores. No dia seguinte, quem ouvia os disparos sabia de onde vinha a notícia e ia até a casa da família para cumprimentar os pais e provar o tradicional “mijo” do recém-nascido, uma mistura de cachaça com mel de “dôropa”.
