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20 anos de espera: caricaturista realiza sonho da HQ

Depois de vinte anos esperando o momento certo, Emmanuel Merlotti de Oliveira decidiu se dedicar integralmente aos quadrinhos. O artista passou duas décadas fazendo caricaturas em eventos para se sustentar e, com o dinheiro dessa atividade, passou a investir nos seus próprios livros de histórias em quadrinhos (HQ).

Filho de artista plástico, Emmanuel cresceu em um ambiente onde o desenho fazia parte do dia a dia. Consumia animações e quadrinhos, e começou a carreira copiando traços. O sonho de trabalhar com HQ nunca foi abandonado, mas ficou guardado enquanto ele buscava formas de sobreviver. O primeiro emprego foi como chargista em um jornal, escolha que ele define como estratégica: preferiu desenhar ali a aceitar um trabalho sem ligação com a arte.

Ao sair do jornal, encontrou nos eventos uma fonte de renda mais direta. As filas para caricaturas se tornaram o que ele chama de “fonte de ouro”. “Sou um dos precursores de caricaturas em eventos assim, faz 20 anos que trabalho com caricaturas. Demoro 3 minutos para fazer cada uma. A caricatura é exagerada, mas não faço bullying”, afirma. Ele explica que a caricatura é um trabalho comercial, enquanto os quadrinhos são autorais.

Durante anos, os projetos de HQ ficaram guardados. Emmanuel sabia que viver deles fora dos grandes centros não era uma aposta segura. A pandemia mudou esse cenário. Com o fim dos eventos, ele perdeu a principal fonte de renda e decidiu que já era hora de realizar o sonho. “Na pandemia, quando vi que existia a possibilidade de morrer, eu disse que não ia mais perder tempo nessa vida”, conta.

Hoje, ele mantém a caricatura como trabalho comercial e usa os ganhos para financiar os quadrinhos. Entre suas obras está a série “Lázaros”, que conta a história de um ex-detetive do departamento de homicídios que vira caçador de recompensas especializado em psicopatas. O próprio autor reconhece que as primeiras histórias eram genéricas e que hoje faria diferente. Ele também presta serviços para outros autores e editoras independentes e começou a dar oficinas de quadrinhos para ampliar a renda.

Emmanuel diz que não tem outra profissão paralela. É artista em tempo integral, o que dificulta o cenário. Sobre a inteligência artificial, ele acredita que a vantagem está no que as ferramentas ainda não conseguem fazer: a arte ao vivo. “A caricatura envolve criar o tempo todo para dar traços de personalidade da pessoa”, afirma. Ele tem quatro livros da série Lázaros e outros em parceria. Seu estilo, segundo ele, é inspirado em mangá e não busca realismo.

Sobre o autor: Redacao Integrada

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